EDITORIAL

DESAFIO E
OPORTUNIDADES


A edição de número 30 do Simineral ON volta a falar de um assunto muito importante ao setor mineral: o desenvolvimento sustentável. Dessa vez, sob o viés da Economia Circular. Este conceito, que explicamos com mais profundidade mais à frente, atrela o desenvolvimento econômico a um melhor uso de recursos naturais, por meio de novos modelos de negócios e da otimização nos processos de fabricação.

Esse modelo nos desafia enquanto indústria a repensar nossos modelos de negócios a fim de agregar valor aos produtos e serviços, a pensar em soluções que contribuam para que as empresas possam reciclar mais e com menor custo, ao passo que também expõe oportunidades estratégicas tais como a “volatilidade no preço das matérias-primas e limitação dos riscos de fornecimento, novas e melhores relações com o cliente, efetividade na competitividade da economia e a contribuição para a conservação do capital natural e atividades sustentáveis, que gera ganho de valor na imagem da empresa”. Dados de uma pesquisa de 2019 da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que, no Brasil, 76% das empresas já desenvolvem alguma iniciativa de economia circular e que mais de 88% dos empresários avaliam este modelo como “muito importante” para a indústria nacional. Conheça mais sobre a Economia Circular nesta edição do Simineral ON.



Anderson Baranov,
Presidente do Simineral

ECONOMIA CIRCULAR

NA PRÁTICA

SINOBRAS

SUCATA FAZ
PARTE DA
ESTRATÉGIA

A siderurgia é uma das atividades econômicas mais importantes no país, movimentando uma cadeia de produção e comercialização de um material essencial para a sociedade moderna, o aço. A  Siderúrgica Norte Brasil S.A. (SINOBRAS) trabalha sob uma ótica de economia circular, guiando a sua produção em princípios que mitigam os impactos ambientais e investem em sustentabilidade. Dentro desse contexto, está também uma das principais atividades que fazem parte do processo siderúrgico e ressaltam o comprometimento com o meio ambiente, a reciclagem de sucata ferrosa.   

A SINOBRAS é atualmente a maior recicladora do Norte e do Nordeste brasileiro, produzindo aço com 70% de sucata e 30% de ferro-gusa líquido. O aço é um dos materiais mais recicláveis do mundo, podendo ser 100% reutilizado, sem perdas. O processo de reciclagem contribui com a questão ambiental, diminuindo o volume de resíduos que seriam destinados aos aterros sanitários ou até mesmo descartados no meio ambiente, reduzindo também o uso de combustíveis fósseis gerados na produção do aço e o gasto de energia. A sucata ferrosa foi um dos materiais pioneiros na reciclagem e hoje é um dos principais insumos utilizados nas usinas siderúrgicas, como a SINOBRAS.

SUSTENTABILIDADE

ECONOMIA
CIRCULAR
É O PRIMEIRO PASSO

Uma das maiores conquistas civilizatórias que o conhecimento humano produziu foi o conceito de Sustentabilidade. A compreensão de que a Economia, o conjunto das Relações Sociais e o Meio Ambiente natural ou modificado, compõem a base da existência humana, tanto em sua dimensão biológica enquanto espécie, quanto em sua dimensão psicológica enquanto ser cognitivo e, em sua dimensão cultural, enquanto ser social e político. Expresso formalmente em 1984 pela Comissão da ONU que recebeu esta missão, o conceito encerra a consciência de que é a conduta econômica e socioambiental, cotidiana, das gerações presentes, que garantirão, ou não, a existência das gerações futuras, com dignidade e justiça. Remetendo o debate tanto à lógica da gestão estratégica da produção e do consumo, quanto ao amor que se pode oferecer a filhos, netos e bisnetos. Trazendo para o frio debate materialista uma dimensão transcendente, existencial, afinal, qual é deve ser mesmo o objetivo de estar vivo? No entanto, mesmo no campo materialista deste processo de recriação de novos paradigmas civilizatórios, é possível constatar que a ciência ofereceu, e oferece, conhecimentos consolidados quanto aos grandes riscos que corremos a partir do Efeito Estufa/Aquecimento Global e do Esgotamento de Recursos produtivos, principalmente. Constatando ainda, que estes dois processos resultam do modelo econômico industrial que a humanidade vive e que, portanto, uma nova composição entre economia e meio ambiente, exige um novo modo de vida e de ser Sociedade. O aprendizado de que o atual modelo econômico tem limites sociais e ambientais graves, exige novos métodos e novas condutas, novos processos produtivos e de consumo. O atual modelo de produção/consumo é linear – extração, transformação, consumo e descarte – não leva em conta que mesmo os recursos naturais chamados renováveis, podem ser finitos por extinção, como o mogno, por exemplo. Imagine os recursos minerais e correlatos que já são entendidos como não renováveis. A conclusão é clara, a Economia Linear, ainda majoritária, nos leva direto ao caos, à sucessão de crises, à extinção, à devastação, à miséria e à violência social rebaixando a qualidade de vida de absolutamente todos e todas as pessoas que vivem neste planeta. No enfrentamento deste desafio, a economia circular propõe o equilíbrio entre o sistema econômico, a sociedade e o meio ambiente, no qual, todos os materiais são devolvidos ao ciclo produtivo através da reutilização, redução e reciclagem. Portanto, um novo valor, a sustentabilidade, deve orientar as condutas individuais, institucionais e corporativas/empresariais.


Considerando o período de 2008 a 2018, a crescente escassez de matérias-primas e a degradação do meio ambiente, tornaram a percepção do modelo linear como limitado e difusor de custos sociais e ambientais que em algum momento onera o sistema. Enquanto a economia circular proporciona ganhos sociais, econômicos e ambientais evidentes. Também foi possível aprender neste período, sobretudo, que a gestão estratégica dos negócios que trabalham parcerias envolvendo todos os agentes sociais e a participação do poder público, ganham maior eficácia em construir credibilidade e o interesse da sociedade, das instituições, das empresas e de seus clientes e consumidores, em um elevado patamar de fidelidade. A relação com o consumidor é um ponto central que merece destaque na estratégia de adoção da Economia Circular. Na verdade, ele precisa ser enxergado também como parte crucial do sistema de logística reversa que é obrigatório adotar para uma economia realmente circular. Como sujeito da utilização e da forma de descarte de materiais, o consumidor deixa de ser passivo para se tornar parceiro integrado à estratégia de gestão circular dos recursos envolvidos. E é possível identificar que essa nova forma de ver o consumidor, é mais vantajosa para o setor empresarial, já que estreita e tende a envolver e fidelizar o consumidor, agora parceiro de gestão econômica. O caso das empresas de produção de lâmpadas é interessante. A partir da obrigatoriedade de recolherem produtos descartados, além de apenas vender o produto, realizam instalação, manutenção e reciclagem em parceria com os consumidores residenciais, mas principalmente, empresariais. A Philips, aumentou sua fatia de mercado e passou a dominar o ciclo de vida do produto. Ao formar as cadeias de suprimento e dominar os mais variados aspectos do negócio, para além do produto, a empresa é capaz de construir uma relação de parceria e lealdade com o consumidor. Torcemos para que em breve se estabeleça como tendência a adoção de ações concretas de todos os atores de cada negócio, governo, empresas e consumidores, a partir de uma tomada geral de consciência, e conduta, no sentido de internalizar a inteligência que a economia circular não só beneficia o meio ambiente, como também proporciona menor custo operacional e de produção, na medida em que resulta em uso eficiente de energia e recursos. Esta mudança de referência para a gestão estratégica dos negócios, precisa envolver os envolvidos simultaneamente, inclusive acionistas, com obrigações, competências, responsabilidades e sanções determinadas na legislação. Precisamos avançar o conceito da sustentabilidade em cultura no cotidiano das pessoas para termos não só uma economia sustentável, mas uma Sociedade Sustentável.

João Cláudio Arroyo é Mestre em Economia pela Universidade da Amazônia (Unama).


PODCAST

DESAFIOS E
OPORTUNIDADES DA
ECONOMIA CIRCULAR

O Podcast do Simineral ON do mês de setembro mergulha com ainda mais profundidade no tema da economia circular. O entrevistado desse episódio é o CEO e head de projetos da ViaFloresta, José Mattos. Ex-executivo de uma multinacional do ramo de beleza, ele comanda, hoje, o HUB de inteligência em Educação Empreendedora, Investimento de Impacto e Desenvolvimento Territorial que visa desenhar e entregar soluções conectadas aos ODS e apoiadas em tecnologias e métodos inovadores e disruptivos. A ViaFloresta já atende empresas do setor mineral. Na entrevista, ele fala, entre outras coisas, sobre como a economia circular pode ser aplicada ao setor mineral, sobre desafios e oportunidades proporcionados por este modelo econômico

OUÇA O PODCAST

TECNOLOGIA 100% PARAENSE

TRANSFORMA
PLÁSTICO EM
TIJOLO

Você já imaginou que metade de um tijolo pudesse ser feito com garrafas PET? Pesquisadores do Instituto AmazôniaTEC, sim. Há seis anos eles desenvolvem uma tecnologia 100% paraense, que transforma resíduos plásticos em tijolos ou bloquetes. Um tijolo, por exemplo, é feito com cerca de 68 garrafas pet e, ainda, com 15% de vidro. Segundo os pesquisadores, o tijolo é mais resistente que o tradicional, feito de cerâmica.
O projeto, dentro do modelo de economia circular, visa tirar resíduos sólidos dos lixões e aterros e dar a eles outras destinações. Em um projeto piloto, uma casa já chegou a ser construída utilizando o material. A ideia é que essas tecnologias possam ser usadas em regiões remotas da Amazônia. Para o Presidente do Instituto AmazôniaTEC, Rodrigo Hühn, “nós conseguimos fazer a economia circular em regiões de difícil acesso na Amazônia. Tiramos aquele plástico, aquele resíduo que, agora, consegue chegar à habitação e à pavimentação. É a economia circular aplicada em áreas de difícil acesso na Amazônia”.

DIA DA AMAZÔNIA

Vale lança filme
sobre ações de
conservação
da Amazônia



Os projetos de apicultura e meliponicultura apoiados pela Vale no sudeste do Pará são tema da terceira e última fase da campanha publicitária que trata sobre as ações da mineradora para proteger e conservar o Bioma Amazônico. O filme institucional marca o Dia da Amazônia, comemorado neste sábado (05), e está sendo exibido desde quinta-feira (02) nas emissoras de televisão e a partir do dia 09 nas salas de cinema da Região Metropolitana de Belém, Marabá e Parauapebas.
Com projetos de criação de abelhas, a Vale ajuda na manutenção dos ambientes naturais e, ainda, na geração de renda para produtores da região. “Hoje nós trabalhamos com a diversificação das criações das abelhas sem ferrão, as nossas nativas, para agregar valor trazendo bons frutos e uma rentabilidade para as famílias”, destaca Rosemir Ferreira, produtora da Associação Filhas do Mel da Amazônia, em Parauapebas.
Sobre a Campanha: Com o mote “Cuidar das florestas hoje é transformar o amanhã de todos”, a campanha institucional no Pará foi desenvolvida em três fases, retratando os investimentos da Vale e, sobretudo, os projetos realizados junto com comunidades na região sudeste do Pará, que atuam para utilizar o recurso natural de maneira sustentável por meio de negócios socioambientais.

PESQUISA

AVES VOLTAM
A ÁREAS
REFLORESTADAS

Ao longo das duas últimas décadas, a cidade de Paragominas (PA) vem se destacando como uma das cidades amazônicas modelo de desenvolvimento sustentável e um estudo que vem sendo realizado pelo Consórcio de Pesquisa em Biodiversidade Brasil-Noruega (BRC, na sigla em inglês), em parceria com a Hydro, traz resultados animadores sobre a presença de aves em áreas reflorestadas da região. A pesquisa “Diversidade de aves em três áreas em diferentes estados de conservação”, iniciada em 2017, constatou o retorno de pássaros em áreas em recuperação em Paragominas, onde fica localizada a mina de bauxita da Hydro. Até o momento, foi encontrado o total de 228 espécies durante a pesquisa. Nas regiões avaliadas, foram encontradas espécies correspondentes com o estágio de reflorestamento em que essas áreas se encontram. O objetivo da recuperação ambiental é restabelecer os elementos do ecossistema conforme o seu estágio sucessional.

Após oito anos de reflorestamento, foram encontradas espécies de aves que se alimentam de sementes, frutos ou partes de plantas. Outro importante indicador é o fato de que todas as espécies encontradas se reproduzem no local. Nas áreas de floresta da Hydro Paragominas também já foram encontradas algumas aves ameaçadas de extinção, como a Ararajuba. No caso das aves, um excelente indicador da qualidade das florestas remanescentes da área da Hydro é a presença do Gavião-real, que está no topo da cadeia alimentar e já foi encontrado na área de floresta nativa perto da mina. Isso indica que as florestas remanescentes na área estão em bom estado de conservação e serão fundamentais para o processo de recuperação florestal da área como fonte de colonização de espécies de aves.

ALCOA 12 ANOS

EMPRESA INVESTE
EM EDUCAÇÃO PARA
MÃO DE OBRA LOCAL

A instalação de empreendimentos em pequenas cidades, sempre gera expectativas em sua população. Uma das principais questões, é sobre a contratação de mão de obra local que será absorvida para trabalhar. Porém, se de um lado a empresa precisa de pessoas tecnicamente qualificadas, que entendem e conheçam parte dos processos de operação, de outro, a população nem sempre teve acesso a preparação para atuar nas áreas onde são ofertadas as vagas de emprego. Foi o que aconteceu em Juruti, no oeste do Pará. Com a chegada da Alcoa, há 12 anos, a mineradora entendeu que havia necessidade de investimentos na área da educação para qualificar e contratar moradores da própria cidade para trabalhar na operação de uma mina de bauxita e um porto de embarque através de navios.

Até agosto de 2020, 8.757 alunos foram capacitados pela parceria da Alcoa através do Programa de Formação de Operadores e Operadoras (PFO), ofertado pelo Senai – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, em mais de 100 diferentes cursos profissionalizantes, totalizando 101.918 horas/aula. Todos os profissionais que concluíram seus cursos são avaliados e passam a integrar o banco de talentos da empresa e do Senai. Mais da metade dos alunos jurutienses capacitados pelos programas de Formação de Operadores e Operadoras (PFO), e de Manutenção (PFM), foram absorvidos pela companhia e apresentam excelente desempenho.

Desde que iniciou a parceria com a Alcoa, o Senai já qualificou mais de 20.000 pessoas nas mais diversas modalidades de ensino profissionalizante. Dentre as demandas atuais do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, está a construção das novas instalações do Senai em Juruti, em um terreno de 9.000 m² doado pela Alcoa, onde serão instalados modernos laboratórios de cursos profissionais. A construção contará também com a parceria da mineradora.

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INSTITUCIONAL

SIMINERAL EM ATIVIDADE

INOVAÇÃO

O Presidente do Simineral, Anderson Baranov, participou da inauguração da nova sede do Instituto Senai de Inovação em Tecnologias Minerais. Ao lado do Secretário de Desenvolvimento, Mineração e Energia do Pará, José Fernando Gomes Junior; do Presidente da Fiepa, José Conrado Santos; do Superintendente do Sesi / Senai, Dário Lemos; e do Diretor do Instituto Senai de Inovação, Adriano Lucheta, ele destacou que o Pará está sendo colocado na vanguarda do ponto de vista de inovação, tecnologia e preocupação com meio ambiente. Assista.

NORTHSTAR

A Diretora Executiva do Simineral, Poliana Bentes, participou da visita à North Star, a primeira grande refinaria de metais preciosos do Estado. Na visita, Poliana destacou a importância de ter uma refinaria dessa natureza no Pará, que nos inscreve no cenário internacional, aumentando a competitividade paraense. Além disso, ela lembrou que as parcerias público privadas podem ajudar a trazer mais investimentos para o Estado, bem como o ambiente de negócios proporcionado pelo Governador Helder Barbalho, que estimula as chamadas PPPs, e que a verticalização de minerais é um sonho que está se tornando realidade.